NOTA PÚBLICA DA ABCF EM REPÚDIO ÀS DECLARAÇÕES DO MINISTRO DA EDUCAÇÃO SOBRE UNIVERSIDADES FEDERAIS

NOTA PÚBLICA DA ABCF EM REPÚDIO ÀS DECLARAÇÕES DO MINISTRO DA EDUCAÇÃO SOBRE UNIVERSIDADES FEDERAIS

O que a Universidade Pública pode oferecer em seu espaço? Farmácias Escola, Laboratórios de análises clínicas, Hospitais Universitários, incluindo veterinários, bibliotecas, cursinhos pré-vestibular comunitários, complexos esportivos (quadras, piscinas, pistas de atletismo, ginásios e afins), uma maior concentração e diversidade de flora, dentre muitos outros exemplos, que aproximam a comunidade do espaço universitário. Diariamente. Democraticamente. Sem questionar credo, cor ou posicionamento político. Milhares usam o espaço público universitário em atividades disponíveis para toda a comunidade, com serviços de qualidade, muitas vezes não oferecidos por estados ou municípios pelo país, e encontrados somente nas Universidades.


Mas, a Universidade vai muito além, em seu papel social de contribuir para o progresso nacional. Atualmente, o Brasil está na décima terceira colocação entre os países com maior produção científica, mesmo com recursos que representam uma pequena fração do investido em alguns países membros da OCDE, e de termos um ambiente acadêmico ainda jovem, se comparado a outras nações. Este número passa a ter uma importância ainda maior, se destacamos que cerca de 95% da produção científica e acadêmica nacional é oriundo das Universidades Públicas e Institutos Públicos de Pesquisa, em sua grande maioria, Instituições Federais.


A Produção Científica se ramifica em benefícios dos mais diversos para a sociedade. Na formação de indivíduos críticos, com capacidade de observação e análise racional, com potencial liderança, seja ela acadêmica, científica ou mesmo social. Na formação de recursos humanos capazes de criar condições para o estabelecimento de novas tecnologias, que garantam a autonomia nacional, gerando oportunidades econômicas das mais diversas para o país. Na possibilidade de se tornar um centro de referência mundial, que atraia recursos para o desenvolvimento da ciência básica que avance em conhecimentos transformadores, como ocorrem em diversas áreas, como agricultura, por exemplo, dentre tantos outros. E mais importante, a combinação destes e outros benefícios, caminham e catalisam o progresso de uma nação. E o progresso reduz desigualdades. Este sim, um mal a ser combatido no país. E que até então, parece não ser tão importante alvo para quem governa.


Por fim, a Universidade tem aproximado as diferentes camadas sociais, trazendo um ambiento diverso, de classe, credo, cor para os Campi espalhados por este país. Tudo isso, com a ampliação dos recursos destinados à gestão universitária. Que por si só, cumpre assim o dever de formar profissionais para as mais diversas áreas de atuação, de forma democrática e ampla. É oportuno lembrar que se há desemprego no país para profissionais com Ensino Superior, este não é consequência de investimentos nas Universidades, mas sim de uma sociedade que não investiu em condições econômicas e sociais para elevar a qualidade dos serviços e de recursos humanos formados.


Assim, na verdade, falta espaço nos Campi Universitários para o desenvolvimento de atividades que não sejam de serviços, ensino, pesquisa e extensão, que retornem à comunidade em avanços sociais profundos e transformadores. Falta sim, recurso para manutenção e avanços nas conquistas e progresso que este país certamente obteve nas últimas décadas.


Aqueles que usam o espaço Público das Universidades sabem o bem que aquela atmosfera oferece a todo e qualquer indivíduo. Atacar este espaço de forma irresponsável é inadequado para a posição de um ministro, ainda mais da educação, o que demonstra que a gestão não está focada na melhoria ou adequação das necessidades das Universidades brasileiras, mas, sim em degradá-las e destruir o patrimônio daquilo que o Brasil pode oferecer de melhor.


As palavras do ministro Abraham Weintraub, mereceriam menosprezo, mas ao ultrapassar todo e qualquer limite ético contra as Instituições que deveria defender, não há como não repudiar de forma veemente. E neste sentido, a ABCF o faz, se unindo às demais Sociedades Científicas, em apoio às Universidades Públicas.

 

Diretoria ABCF



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