Onde há fumaça

Onde há fumaça

Onde há fumaça, há fogo!

 

Apesar do dito popular servir ao cenário apocalíptico na Amazônia, não há como não o utilizar também, de forma metafórica, para a situação atual do CNPq.

 

Na última quarta-feira, junto com o céu acinzentado chegou a notícia de suspensão da Chamada CNPq Nº 04/2019 - Auxílio à Promoção de Eventos Científicos, Tecnológicos e/ou de Inovação – ARC (http://www.cnpq.br). O que somado à suspensão de cerca de 4500 bolsas de graduação e pós-graduação (http://www.cnpq.brhttps://oglobo.globo.com/sociedade/educacao/cnpq-suspende-4500-bolsas-por-falta-de-orcamento-23880009), no mesmo período em que se realizava Seminários de Acompanhamento de Programas de Pós-graduação das mais diversas áreas na CAPES, provoca ainda mais instabilidade na Ciência, Tecnologia, Inovação e Educação do País.

 

Obviamente a questão orçamentária é, em muito, responsável por estas decisões do CNPq,  e o aportesuplementar imediato da ordem de R$ 330 milhões se faz fundamental para a manutenção dos compromissos, bem como da sustentabilidade de um Sistema que se desenvolveu com sucesso nas últimas décadas. Como já dito em outros momentos, é imperativo para a soberania nacional o desenvolvimento e manutenção de políticas públicas de Ciência, Tecnologia e Inovação, o que, no atual momento do país, está estritamente relacionado à qualidade da formação de recursos humanos, em nível de graduação e pós-graduação.

 

Enquanto tais medidas são tomadas, o planejamento estratégico de muitas Instituições, Programas de Pós-Graduação e Grupos de Pesquisa são afetados, principalmente quando tal quesito é considerado na avaliação Institucional. O que vale também para Comissões Organizadoras de eventos científicos. 

 

Eventos científicos no país, são quase que em sua totalidade organizados, sem fins lucrativos, por Sociedades Científicas ou Instituições de Pesquisas e Ensino públicas, e muitas vezes por pesquisadores em um trabalho hercúleo, na tentativa de mostrar para a sociedade e comunidade científica o desenvolvimento da Ciência no País. Mas, os benefícios de eventos científicos não param por aí, desde a aproximação de jovens estudantes com cientistas renomados, até o estabelecimento de colaborações acadêmicas nacionais e internacionais entre grupos de pesquisa.

 

Tudo isso se inicia sempre com um planejamento inicial de longa antecedência, sabendo-se que historicamente os recursos de agências de fomento só são liberados pouco antes, ou até mesmo durante o evento. Ou seja, os organizadores podem até iniciar os trabalhos com pendências de orçamento para pagar as diárias, passagens aéreas, locais de evento e tudo que possibilita alcançar qualidade e interesse para a Sociedade, com o mínimo de organização. 

 

Para a ABCF, que organiza um evento científico por ano – O CIFARP (coorganizado com a FCFRP-USP) em anos ímpares e o Congresso da ABCF em anos pares, este assunto é muito caro, afinal, esta Associação nasceu em um evento científico, e hoje congrega mais de 2000 associados, e participa de diversas atividades científicas em benefício da área da Farmácia.

 

Por isso mesmo, nos juntamos aos apelos da Comunidade, pois entendemos fundamental que o CNPq receba os recursos necessários para cumprir os seus objetivos, respeitando Editais e, principalmente, salvando as bolsas de pesquisa e estudo, que muitas vezes são sustento de muitos estudantes e suas famílias.

 

Vamos apagar o fogo dos rumores, e desviar a fumaça do atraso, para que o país consiga rumar ao desenvolvimento, com uma base sustentada na razão da Ciência.

 

#SomosTodosCNPq

 

Flavio da Silva Emery

Presidente da ABCF



ABCF

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Ribeirão Preto – SP – 14056-680

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