OFÍCIO AOS MCTIC, MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA, SENADORES E DEPUTADOS

OFÍCIO AOS MCTIC, MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA, SENADORES E DEPUTADOS

Ribeirão Preto, 08 de abril de 2019

 

OFÍCIO

 

Vossas Excelências,

Senhores Ministros da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), da Economia, e Senhores Deputados e Senadores.

A Associação Brasileira de Ciências Farmacêuticas compartilha da posição da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e Academia Brasileira de Ciências (ABC), referente aos riscos para o país em função dos cortes orçamentários recentes, determinados por decreto pelo Presidente da República.

O contingenciamento e corte do orçamento no MCTIC e Ministério de Minas e Energia, aliados aos praticados em governos anteriores, causam impacto negativo no desenvolvimento do país rumo à autonomia científica e tecnológica, não somente em instituições de Ensino e Pesquisa, mas também em empresas públicas e privadas. Neste sentido, cabe enfatisar o quão afetada será a disponibilidade de bolsas de pesquisa, em diversos níveis, o que torna ainda mais difícil a manutenção e o planejamento da formação de recursos humanos qualificados para atender aos desafios da inovação no Brasil e no mundo.

Mais especificamente, a área da Farmácia no Brasil tem longa história no desenvolvimento de pesquisa em biotecnologia, nanotecnologia, fármacos de origem natural e sintética, análises clínicas, farmacologia, e assistência farmacêutica. Estas são áreas estratégicas para o país, e a diminuição de investimentos afetará o crescimento paulatino destas áreas, em um momento que pesquisadores brasileiros começam a se destacar mundialmente, seja no setor produtivo industrial – que teve o seu parque nacional grandemente aumentado nos últimos anos –, como no acadêmico e hospitalar.

Além disso, nosso país vem investindo cada vez mais na formação de pesquisadores na área farmacêutica, como expressado pelo crescimento exponencialmente de Pós-graduação em Farmácia neste século. Atualmente, os pesquisadores brasileiros estão em sintonia com as tecnologias mais avançadas em nível mundial, o que trouxe maior produtividade da pesquisa estratégica nacional na área de Farmoquímicos, por exemplo.

Sendo assim, vale reforçar que a diminuição dos recursos em pesquisa, no momento em que se estabelece a formação de um corpo científico de alta capacitação, gera não somente a falência técnica, mas também a desvalorização de profissionais de elevado potencial. Bem como, desarticula o planejamento ora realizado.

Por fim, a nova previsão orçamentária tem consequência direta sobre a evolução da área, bem como sobre a formação profissional de farmacêuticos, com ou sem pós-graduação. E assim, se descortina um cenário de dependência tecnológica que afetaria fortemente também o setor de saúde no país, o que aumenta ainda mais a gravidade da situação.

Desta forma, junto com a SBPC, ABC e outras associações científicas do país, solicitamos revisão dos cortes, por entendermos que uma das soluções para a viabilidade e sustentabilidade de uma nação é o investimento em ciência, tecnologia, inovação e educação.

 

Associação Brasileira de Ciências Farmacêuticas, (ABCF), Flavio da Silva Emery



Documento

ABCF

Av. Drª. Nadir Aguiar, nº 1.805
Ribeirão Preto – SP – 14056-680

Trip Propaganda