Vice-presidente da SBPC ganha prêmio Kurt Politzer de Tecnologia 2015

Vice-presidente da SBPC ganha prêmio Kurt Politzer de Tecnologia 2015

Via Jornal da Ciência:

O prêmio foi entregue nesta sexta-feira (11), durante o ENAIQ 2015, que acontece no Grand Hyatt São Paulo

A farmacêutica Vanderlan da Silva Bolzani, vice-presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), foi a ganhadora da edição 2015 do Prêmio Kurt Politzer de Tecnologia, na categoria pesquisador, concedido pela Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim). O prêmio, que homenageia pesquisadores que tenham desenvolvido projetos na área química com potencial de aplicação industrial,  foi entregue nesta sexta-feira (11), durante o 20º Encontro Anual da Indústria Química – ENAIQ 2015, que acontece no Grand Hyatt São Paulo, em São Paulo.

“Fico muito feliz com o prêmio. Gosto muito do que faço e é muito bom ver que meu trabalho está sendo reconhecido. Mas o interessante é que eu não sou química. Fiz minha graduação em farmácia, mas dediquei minha vida inteira à química”, disse Bolzani ao Jornal da Ciência ao ressaltar que o Brasil ainda precisa criar a cultura de premiar as pessoas que tenham seus trabalhos reconhecidos.

O projeto que conquistou o prêmio utiliza como matéria-prima o umbu, fruta emblemática da Caatinga nordestina. “O Brasil tem uma grande biodiversidade, mas não existe um produto de valor agregado da nossa biodiversidade. Sei que há indústria que utilizam frutos da nossa biodiversidade, inclusive de cosméticos, mas não de inovações radicais. E temos uma área científica forte em produtos naturais, mas não existe uma conexão.  Os exemplos que tivemos de produtos de valor agregado no passado, nunca trouxeram divisas para o Brasil. Então quando vejo uma Associação Brasileira da Indústria Química que premia algo sobre os frutos do Brasil, considero importante”, comemora.

A pesquisadora acredita ainda que com esse prêmio possa atrair mais atenção da indústria nacional.  “Tenho certeza que isso pode atrair olhares dos empresários nacionais para produtos da nossa biodiversidade que é rica. Sei que há risco. E o industrial brasileiro não é afeito ao risco. Mas o risco é inerente ao setor que quer inovar. E risco é inerente também a própria Ciência. Pesquisar é um risco constante”, disse.

A cientista afirma que na Ciência não devem existir barreiras. No mundo onde o conhecimento traga de fato, sustentabilidade e desenvolvimento social, é preciso que haja multidisciplinaridade. “Acho que a minha carreira é um pouco assim, já que comecei na Medicina. Fiz dois anos. Larguei e fui fazer Farmácia e gostei bastante. Fiz pós-graduação em Química. E acredito que a Química seja importante porque ela é a Ciência da vida. Tudo que nós fazemos está relacionado à Química, principalmente a orgânica, a qual me dediquei”.

Bolzani, que é professora titular do Instituto de Química de Araraquara da Universidade Estadual Paulista (Unesp), é graduada pela Faculdade de Farmácia da Universidade Federal da Paraíba (1973), mestre em química orgânica pelo Instituto de Química da Universidade de São Paulo (IQ-USP), em 1977, e doutora em ciências, também pelo IQ-USP, em 1982, com bolsa FAPESP.  Possui pós-doutorado pelo Departamento de Química no Instituto Politécnico e Universidade Estadual de Virgínia, Estados Unidos, com bolsa da FAPESP.

Natural de Santa Rita (PB),kingwatchltd.cn  ela obteve título de livre-docente pelo Instituto de Química da Unesp em 1996, foi presidente da Sociedade Brasileira de Química (SBQ) no período de 2009-2010, e membro do Conselho Deliberativo do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Vivian Costa/Jornal da Ciência



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